Tem uma frase que eu repito em quase toda mentoria: faturamento é ego, lucro é sanidade e caixa é rei.
O dono gosta de falar quanto fatura. É o número que ele leva pro churrasco, pro grupo de empresário, pra conversa com o concorrente. Só que faturamento não paga conta. Faturamento alto com lucro baixo é empresa grande, cansada e pobre. Eu já vi isso de perto, inclusive comigo.
Em 2015 eu fui conhecer os números da minha própria empresa de verdade. Descobri que estava com margem de lucro de 5%. Sete anos andando de lado porque eu não tinha clareza dos números. Eu achava que estava bem. Não estava.
Então antes de qualquer planilha sofisticada, antes de qualquer software, o jogo é esse: parar de decidir no feeling e começar a decidir com dado. Porque sensação, feeling e emoção levam a erro. Tem que ter número.
Vou te mostrar os cinco números que eu acompanho e que faço todo empresário que eu mentoro acompanhar também. Não é teoria. É o básico que, se tu olhar toda semana, já te tira do escuro.
1. Faturamento (mas sabendo o lugar dele)
Faturamento é quanto entrou de venda no mês. Ele importa, só que ele é o começo da conta, não o fim.
O erro é parar aqui. O dono vê R$ 500 mil de faturamento e acha que a empresa vai bem. Faturamento alto esconde um monte de problema embaixo. Um dono de distribuidora que eu acompanho faturava forte e vivia apertado no fim do mês. O faturamento estava ótimo. O resto é que estava quebrado.
Olha o faturamento, registra, mas não comemora ainda. A festa é lá na frente.
2. Margem de contribuição
Esse é o número que separa o empresário que sabe do que acha que sabe.
Margem de contribuição é o que sobra de cada venda depois que tu tira o custo variável dela. O custo do produto, o imposto daquela venda, a comissão, a taxa do cartão. O que sobra é o que vai pagar a tua estrutura e virar lucro.
Se a tua margem de contribuição está abaixo de 50%, já é um grande indício de erro de precificação. Grande indício. E tem uma armadilha que eu vejo direto: o produto mais vendido da empresa ser justamente o de menor margem. O dono vende um monte, se mata de trabalhar, e o buraco só aumenta. É aí que mora o problema.
Tu só descobre isso olhando a margem por produto. Não dá pra olhar a empresa inteira num bolo só.
3. Despesa fixa
Despesa fixa é tudo que tu paga todo mês independente de vender ou não. Aluguel, folha, pró-labore, contador, internet, os softwares.
Custo é igual unha. Se tu não corta, ele cresce. Ele vai aumentando sozinho, sem ninguém pedir, e um dia tu olha e a estrutura comeu o lucro inteiro.
Aqui vale uma conta que pouca gente faz: um real de despesa vale mais que um real de receita. Se tu corta um real de custo, sobra um real de lucro limpo. Se tu vende mais um real, depois de custo e imposto sobra centavos. Por isso eu digo que cada ano é uma batalha pra baixar custo. É briga. Cada setor recebe a meta dele e se vira.
Olha a tua despesa fixa em percentual do faturamento. Se ela está acima de 35%, 38%, tem gordura pra queimar.
4. Lucro (o de verdade, não o do extrato)
Lucro é o que sobra depois de tudo. Depois do custo variável, depois da despesa fixa, depois do imposto.
Toda empresa, no fim, tem dois caminhos: ou cresce ou cai. E empresa sem lucro não cresce, não investe, não inova, e os sócios perdem o tesão. O lucro não é prêmio. É combustível.
Uma coisa que eu falo sempre: eu prefiro ter certeza de que estou no prejuízo do que achar que estou no lucro. Porque se eu tenho certeza do prejuízo, eu atuo. Eu corto, eu negocio, eu reprecifico. O empresário que vive na dúvida é o que não age.
Empresa prestadora de serviço, por exemplo, tem que fazer 20% de lucro com o pé nas costas. Não é esforço nenhum. Se não está fazendo, não é mercado, é gestão.
5. Caixa
Esse é o rei. E é o número que mais engana.
Lucro e caixa não são a mesma coisa. Tu pode ter lucro todo mês no papel e mesmo assim quebrar a empresa por falta de dinheiro. Acontece quando tu compra à vista e vende parcelado, quando tem uma parcela de financiamento pesada, quando o dinheiro que entrou hoje já era de uma venda de três meses atrás.
Tem uma regra que eu não abro mão: o dinheiro na conta não é do mês. O mês tem que fechar positivo por ele mesmo. Eu não posso ficar comendo a reserva dos meses anteriores e achar que está tudo certo porque tem saldo na conta.
Caixa é o que te dá fôlego pra tomar decisão com a cabeça fria. O fluxo de caixa transforma decisão emocional em decisão racional. Sem ele, tu decide no desespero.
O DRE simples: onde esses números moram
Esses cinco números não vivem soltos. Eles moram num lugar que assusta o empresário pelo nome e é simples na prática: o DRE, o Demonstrativo de Resultado.
Monta assim, de cima pra baixo:
- Faturamento do mês
- Menos os custos variáveis, e tu chega na margem de contribuição
- Menos a despesa fixa, e tu chega no resultado operacional
- Menos impostos e o que mais for, e tu chega no lucro
Pronto. Começa numa planilha mesmo. Não precisa esperar o sistema perfeito, o ERP configurado, o momento ideal. Progresso, depois ordem. Começa sujo e vai melhorando.
O que não dá mais é decidir no escuro. Porque 99% dos problemas das empresas é clareza dos números. Ponto. Quando tu começa a ter essa clareza, tu para de dar desculpa. Para de culpar o mercado. Olha a conta e age.
O primeiro passo é parar de fugir do número
Eu sei que dá medo. O dono não olha porque tem receio de encontrar um problema maior do que ele imagina. Só que o problema já está lá. Olhar não cria o problema, olhar te dá a chance de resolver.
Aquilo que tu vê, tu não desvê. No momento que tu enxerga teus números de verdade, não tem mais volta: tu começa a tomar decisão de dono de empresa, não de refém dela.
Se tu quer parar de decidir no feeling e montar esse acompanhamento do jeito certo, com os indicadores que fazem sentido pro teu negócio, é exatamente isso que eu faço dentro do Mentorus Club. A gente senta nos teus números, monta o teu DRE e transforma esse monte de dúvida em decisão. Quando quiser trocar uma ideia sobre isso, é só me chamar.